Líder do Hamas diz que negocia governo de união com o Fatah / Apesar de sanções internacionais, Irã oferece empréstimo ao Egito

Duas notícias em uma! Ambas tem um ponto em comum: O inimigo do inimigo é meu amigo. Tanto os grupos Hamas e Fatah quanto o estado do Egito e Irã, historicamente vêem Israel como um estado indesejado. E o mesmo acontece com o estado sionista. Certamente Israel está muito desconfortável  com a aproximação desses atores e dessa vez não tem o apoio internacional incondicional a sua causa.

O líder do grupo militante palestino Hamas, Khaled Meshall, disse em entrevista à BBC que está negociando um governo de união com o grupo rival Fatah.

Líder do Hamas fez declarações em entrevista à BBC

Ambos grupos tem dado sinais de aproximação nos últimos meses, desde o romprimento em 2006. Na ocasião, o Hamas, que é cosniderado um grupo terrorista por Israel, venceu as eleições nos territórios palestinos, mas não assumiu o governo sob pressão internacional.

O grupo acabou confinado à Faixa de Gaza, que controla desde então. O Fatah, de perfil moderado, assumiu o governo da Cisjordânia.

A possível união política palestina pode ter implicações no processo de paz com Israel, que não aceita negociar com o Hamas.

As declarações foram feitas logo após o presidente Barack Obama anunciar uma visita à região.

Exportação de petróleo de Teerã está em queda desde a imposição de bloqueios pelos EUA e a União Europeia

Irã poderia conceder grandes empréstimos ao Egito, enquanto buscam maiores acordos bilaterais

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ter oferecido “uma grande linha de crédito e outros serviços” ao Egito, apesar das sanções econômicas internacionais que enfrenta por causa de seu programa nuclear.

Em entrevista ao jornal egípcio Al Ahram durante visita ao país, afirmou que a economia iraniana está testemunhando “aspectos positivos” e as exportações crescem gradualmente.

O presidente egípcio, Mohammed Mursi, disse nesta terça-feira (05/02) que suas reservas no exterior caíram para abaixo de US$15 bilhões, nível que cobre três meses de importações, mesmo com recentes ajudas financeiras do Catar. Além disso, o turismo no país tem sido duramente afetado desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, e investimentos têm arrefecido por causa da instabilidade política e econômica.

Sanções

Nesta quarta-feira (06/02), o Departamento de Tesouro dos EUA levantou sanções contra a emissora estatal Republic of Iran Broadcasting e seu diretor Ezzatollah Zarghami e bloqueou o acesso ao sistema financeiro norte-americano. A lei no país permite que o departamento restrinja qualquer pessoa que considere um obstáculo ao acesso à informação da população.

“Nós alvejaremos também aqueles no Irã que forem responsáveis por abusos de direitos humanos, especialmente os que negarem liberdades básicas de expressão e assembleia”, disse David Cohen, sub-secretário para terrorismo e inteligência financeira no Tesouro.

Além disso, e como programado, sanções que congelam ganhos iranianos do petróleo tomam efeito nesta quarta-feira. Desse modo, o país não consegue repatriar as rendas, mas somente usá-las para compras de seus países clientes.
De fato, as exportações de petróleo iranianas caíram pela metade em 2012, desde os 2,2 milhões de barris diários no fim do ano anterior, levando à perda de bilhões de dólares e queda na moeda do país.

No entanto, os números subiram de 900 mil para 1,4 milhões de barris diários entre novembro e dezembro, de acordo com uma compilação da agência Reuters. Isso se deve à contínua demanda da China, Índia e Japão, assim como a aquisição de novos navios transportadores da China e a alternativas encontradas por compradores tradicionais ao seguro logístico bloqueado.

Com as novas sanções, porém, as vendas devem voltar a cair em 2013. O rastreamento de navios iranianos se torna cada vez mais difícil à medida em que empresas desligam os sinais de satélite para esconderem o transporte de potências ocidentais.

Os Estados Unidos e outros países da ONU impõem embargos sobre produtos importados iranianos e cortam o acesso do país a logística, seguros e financiamentos como forma de prejudicar as exportações de petróleo do país, vital para a economia, e assim forçá-lo a parar com seu programa nuclear — cujos objetivos não são bélicos, de acordo com o governo. Um exemplo é a ENOC, petroleira estatal dos Emirados Árabes Unidos, que importa óleo condensado do Catar e está finalizando outros contratos para substituir o sancionado do Irã.

Cooperação

Ahmadinejad visitou o Cairo nesta terça-feira (05/02) para participar da 12ª Cúpula da Organização da Cooperação Islâmica, na primeira visita de um líder iraniano ao país em 34 anos.

Os chefes de Estado analisaram medidas para resolver a crise síria “sem uma intervenção militar” e conversaram sobre a situação regional e as formas de reforçar os laços bilaterais. O presidente egípcio afirmou que a revolução no Egito apresenta uma situação similar à do Irã, ocorrida em 1979, mas o primeiro não possui as mesmas oportunidades para desenvolvimento rápido.

“Se os dois povos estiverem unidos nesta etapa de desenvolvimento ocuparão um lugar importante no mundo, e a região e o mundo se beneficiarão”, assegurou Ahmadinejad depois de se reunir com o xeque da instituição sunita Al-Azhar, Ahmad al Tayyip. Após o encontro, Tayyip emitiu um comunicado no qual instou o Irã a não interferir nos assuntos internos das monarquias sunitas do Golfo Pérsico, especialmente no Bahrein.

Cairo e Teerã romperam seus laços em 1979 após o triunfo da revolução iraniana, depois que o governo egípcio decidiu acolher em seu território o deposto xá, Mohammed Reza Pahlevi, e devido à assinatura dos acordos de paz de Camp David entre Egito e Israel no mesmo ano.

* Com informações de Reuters, EFE e MehrNews

Fonte: BBCBrasil e Opera Mundi

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