Em vídeo, marinheiros chilenos cantam ameaças de morte a vizinhos sul-americanos.

Muito barulho por nada! Todos as atividades militares de todas as forças armadas tem cânticos próprios e similares. Todos pregam a matança do inimigo e no caso dos Chilenos, por razões obvias e geográficas, os maiores inimigos em potencial são seus vizinhos Argentinos, Peruanos e Bolivianos.

“Argentinos matarei, bolivianos fuzilarei, peruanos degolarei”, cantam fuzilerios navais chilenos enquanto treinam ao longo da costa de Viña del Mar, importante cidade do país e muito visitada por argentinos. Em um vídeo que circulou pelas redes sociais e provocou polêmicas diplomáticas, os cantos – considerados xenófobos – não são novidade entre as tropas navais do país.

Arturo Amaro Pestan esteve na escola naval de Valparaíso, entre 1996 e 1999, no treinamento para oficial da Marinha. Apesar de advogado atualmente, sempre viveu em um ambiente naval e diz que os cantos eram normais para a instrução militar, encarados como brincadeira e de modo a motivar as filas nos treinos às 5h30, quando ninguém estava nas ruas.

Em entrevista a Opera Mundi, Pestan diz que “claro que não gostaria de ir ao Peru e escutar 25 soldados cantando contra chilenos, mas estão tratando como se a instituição fosse xenófoba. Eu estaria mentindo se dissesse que senti isso”. Ele diz que, naquela época, os marinheiros tinham “integração plena, com exercícios navais conjuntos com diversos fuzileiros da América Latina; passamos muito tempo com bolivianos, argentinos e brasileiros”.

 

Como exemplo, cita o navio-escola Esmeralda, de treinamento da marinha chilena, para onde vão guardas marinhos argentinos e o navio-escola argentino, a Fragata Libertad, ao qual vão guardas marinhos chilenos.
Para Pestan, é lamentável que a imprensa tenha “explorado as feridas abertas pela Guerra do Pacífico, com notícias como as da disputa pela saída ao mar, que são coisas a se discutir, mas não com notícias anti-peruanas, anti-bolivianas, usando o sentimento nacionalista”.

O advogado contou que, entre os cantos de sua época, se incluem versos como “Caminhando pela selva com minha M16 / a todo inimigo (argentino, peruano, boliviano) que eu veja matarei / seus olhinhos arrancarei / e seu sangue beberei”. Na mesma música, uma estrofe diz “Quero me banhar / em uma piscina / cheia de sangue / sangue inimigo / para não temer a morte”.

Ponta do iceberg

A Guerra do Pacífico, à qual Pestan se refere, é o conflito em que Bolívia e Peru enfrentaram o Chile entre 1879 e 1883 por questões territoriais e fiscais. Ao fim da guerra, o Chile absorveu o que é hoje sua região norte em áreas dos outros países ricas em recursos minerais que serviam para fertilizantes e explosivos.

Essa guerra traz reminiscências até os dias atuais: corre um processo na Corte Internacional de Haia entre Peru e Chile sobre a fronteira marítima. O primeiro afirma que os acordos de pesca bilaterais de 1952 e 1954 não constituem um tratado de fronteira – ao contrário do que o Chile defende -, e que a linha de projeção até o Pacífico foi traçada a partir de um paralelo, e não em de uma linha equidistante, como define a Convenção do Mar da ONU de 1982. Em dezembro, Piñera pediu a chilenos e peruanos que evitem “o nacionalismo exacerbado que envenena a alma dos povos”.

Além disso, a perda da Bolívia de sua saída soberana ao mar ainda faz parte dos objetivos diplomáticos do presidente Evo Morales.  Em entrevista publicada neste sábado (02/02) pelo jornal La Tercera, o presidente chileno Sebastián Piñera sustentou que o governo chileno colocou “em múltiplas ocasiões” ao Executivo boliviano a possibilidade de entregar um enclave territorial com autonomia – mas sem soberania -, ao norte de Arica e na zona fronteiriça com o Peru, com direito a um porto, “garantias tributárias e de outra natureza”. Essa oferta, no entanto, “perderia validade” se o tribunal de Haia der razão ao Peru no litígio pela fronteira marítima.

Em dezembro de 1978, argentinos e chilenos estiveram em iminência de conflito armado por causa da soberania de três ilhas no Canal Beagle, no extremo sul do continente.

Repercussão

O sub-ministro da Defesa, Alfonso Vargas, afirmou nesta quinta-feira (07/02) que o grupo de 27 soldados da Academia Politécnica Naval já foram identificados. A investigação se iniciou nesta quarta-feira (06/02) e deve durar 20 dias. Em entrevista à CNN, disse que “isso não ajuda a política externa chilena e o rechaçamos enfaticamente”, uma vez que o Chile ”está centrado na cooperação internacional e na irmandade dos países, sendo este um desatino ”.

O comandante das Forças Armadas do país, Edmundo González, postou em conta do Twitter que “as práticas se distanciam do que é ensinado no Exército e de sua doutrina como instituição, e por isso as classifico como inaceitáveis”, acrescentando que “o costume é cantar cantos militares, não improvisações; aí está o pecado do vídeo”. González também escreveu que está investigando o caso e, “se comprovados os fatos, deverá ocorrer máxima punição aos responsáveis”.

“Ante essa agressiva atitude, (…) manifestamos nosso protesto energético, já que essas ações vulnerabilizam os compromissos internacionais básicos orientados a propiciar a paz e integração regional”, publicou o ministério de Defesa da Bolívia hoje. Além disso, os cantos denotam que “Chile é um país que gera controvérsias na região sem justificativa alguma, comportamento que não colabora com a geração de confiança na América do Sul”.

Para o ministro da Defesa da Argentina, “sempre pode haver algum instrutor oficial que tenha algum pensamento que não coincide com a época” pelas quais passam os países e “certamente as autoridades chilenas colocarão em seu lugar imediatamente”. Afirmou também que a Argentina “abandonou as teorias das hipóteses de conflito” com os vizinhos e que o “Chile tampouco planta essas hipóteses”.

* Com informações de El Mostrador, Clarín, Télam, CNN Chile, EFE e Rfi

Fonte: Opera Mundi

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