Bicicletas – A amiga do homem moderno

Recentemente, temos observado no Brasil vários casos de acidentes envolvendo ciclistas e motoristas do ônibus e carros. Tudo devido a falta de educação no trânsito. 

É necessário criar uma consciência na população de que o ciclista é ainda mais frágil que um pedestre. A preferência deve ser sempre dele, em qualquer hipótese. Deve-se acabar com esse egoísmo, para no final ganhar alguns segundos no destino final.

A bicicleta, é um dos meios de transporte que estão ganhando muitos adeptos devido a diversos benefícios que ela proporciona, por ser um meio de transporte que trás benefícios a saúde, ao ambiente e principalmente ao bolso. É papel do governo criar incentivos para essa cultura crescer, pois afinal, uma bicicleta a mais nas ruas é um carro a menos nos congestionamentos.

Infelizmente, vivemos em um país de terceiro mundo, onde ainda se valoriza o consumismo irresponsável e não uma vida sustentável. Segue o exemplo de Londres que gastou cerca de 1 bilhão de reais, 1 BILHÃO, nesse transporte prático e saudável.

ciclista em Londres (foto: BBC)

 

Com problemas semelhantes a Rio e SP, Londres aumenta segurança de ciclistas

Risco de colisões com veículos, ruas esburacadas, ciclovias insuficientes e cruzamentos arriscados, problemas que afligem diariamente ciclistas no Rio de Janeiro e em São Paulo, são perigos comuns em Londres, cidade que há vários anos tenta viabilizar a bicicleta como alternativa real de transporte.

Nos últimos 10 anos, o volume de bicicletas na cidade aumentou mais de 150%. Hoje, cerca de 300 mil ciclistas circulam pelas ruas de Londres diariamente.

Os investimentos da prefeitura para tornar as vias londrinas mais seguras e atraentes para ciclistas aumentaram de dois milhões de libras em 2001 (R$ 6 milhões) para 100 milhões de libras (R$ 300 milhões) este ano, mas grupos cicloativistas defendem que ainda há muito a fazer para que o veículo sobre duas rodas seja a opção de transporte preferido dos londrinos.

O grupo London Cycling Campaign (LCC), que tem quase 12 mil membros e há 30 anos milita para aumentar a popularidade da bicicleta e a segurança dos ciclistas, reconhece que o número de acidentes com mortes caiu 20% nos últimos 10 anos, apesar do considerável aumento no número de bicicletas nas ruas no mesmo período.

Ainda assim, as ruas de Londres estão longe de ser um lugar seguro para ciclistas, que não contam com ciclovias em muitas partes da cidade e são obrigados a disputar espaço com ônibus, caminhões e vans, apontados como os maiores culpados por mortes de ciclistas. No ano passado, 14 pessoas perderam a vida enquanto andavam de bicicleta na capital britânica.

“Estamos atuando em várias frentes junto ao governo para que a voz dos ciclistas seja ouvida e discursos sejam traduzidos em ações”, afirma à BBC Brasil Charlie Lloyd, da London Cycling Campaign.

Londres à moda holandesa

Lloyd diz que a organização vem colhendo frutos de campanhas cujo objetivo é trazer para Londres o modelo de ciclismo holandês, considerado referência na Europa. No ano passado, a LCC lançou a campanha Love London, Go Dutch (Ame Londres à moda holandesa, em tradução livre), que gerou repercussão na campanha eleitoral para a prefeitura.

A discussão provocou um debate acalorado entre os candidatos, que na reta final da disputa, em maio de 2012, realizaram um encontro com objetivo único de divulgar suas propostas sobre ciclismo na cidade.

Reeleito, o conservador Boris Johnson divulgou há dois meses o documento “Vision for Cycling in London” (Uma visão sobre ciclismo em Londres), em que prometia redesenhar as ruas da capital britânica inspirando-se no modelo da Holanda.

Com orçamento de 400 milhões de libras (R$ 1,2 bilhão), o novo projeto prevê a criação de ciclovias que seguirão os trajetos das linhas de ônibus, metrôs e trens. Novas pistas para ciclistas serão construídas paralelamente às ruas, ficando separadas por um meio fio. Também está prevista a construção de um corredor expresso exclusivo para bicicletas com 24 quilômetros de extensão que vai ligar Londres de oeste a leste, passando pelo centro financeiro da cidade.

As obras, que devem ficar prontas até 2020, preveem ainda a instalação de ciclovias mais calmas, que vão passar por trás de avenidas movimentadas, geralmente evitadas pelos ciclistas mais cautelosos.

Um projeto que já está em teste na cidade é uma rotatória mais segura para ciclistas inspirada no molde holandês. O cruzamento prevê ciclovias construídas em paralelo às pistas principais, evitando que bicicletas e veículos circulem no mesmo espaço.

Educação no trânsito

Entre outros projetos defendidos pela London Cycling Campaign, está uma iniciativa em diversos bairros da cidade para oferecer treinamento para motoristas de caminhões. Até agora, quatro mil motoristas já foram treinados para ficar mais atentos à presença de ciclistas.

“Outra reivindicação é de que os caminhões sejam mais bem equipados com sensores eletrônicos para detectar a aproximação de bicicletas”, diz Lloyd. “Queremos também aumentar a quantidade de caminhões com portas de vidro e estamos propondo mudanças no design das cabines para que os motoristas fiquem sentados mais abaixo, podendo ver ciclistas mais facilmente”, diz o cicloativista.

Ao mesmo tempo em que é preciso educar motoristas, é importante também treinar os ciclistas. Hoje, diversos bairros londrinos oferecem cursos de ciclismo, em que adultos aprendem como guiar a bicicleta no trânsito.

Na semana passada, um grupo de parlamentares de vários partidos divulgou um documento em que defendem, entre outras propostas, aulas de bicicletas para crianças nas escolas primárias.

Ideias como essas são amplamente apoiadas por diversas associações de ciclistas londrinos, que já são vistos como uma espécie de “categoria”.

Além de organizações, diversos blogs como Cyclist in the City e ibikelondon, além de páginas dedicadas ao ciclismo nas principais redes sociais, são cada vez mais populares entre os amantes dos pedais.

E eles não se encontram somente no mundo virtual. Há lugares badalados, como o café Look Mum no Hands, no centro da cidade, onde os ciclistas se reúnem para tomar um café e, se precisarem, podem contar com um serviço de conserto de bicicletas que funciona no local.

Ao longo do ano, são vários os eventos organizados para os praticantes do ciclismo. Um dos mais conhecidos é o Critical Mass, que reúne um grupo de ciclistas em uma volta por Londres toda última sexta-feira do mês.

Benefícios

A bicicleta caiu no gosto dos ingleses há cerca de dez anos, como forma de driblar o alto custo do transporte público, manter a forma e preservar o meio ambiente.

Pesquisa recente realizada pela London School of Economics (LSE) mostrou que a indústria do ciclismo já injetou mais de 600 milhões de libras (R$ 1,8 bilhão) na economia britânica, com a expansão de fábricas de bicicletas e aumento nas vendas. Em 2010, as vendas em todo o país aumentaram 28%, elevando o total de bicicletas para 3,7 milhões. Estima-se que o setor empregue cerca de 23 mil pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, o uso da bicicleta também se traduz em benefícios para as empresas. Ciclistas assíduos tiram um dia de folga a menos por motivos de doença, economizando 128 milhões de libras por ano (R$ 384 milhões).

De olho nisso, empresários vêm investindo nos últimos anos para melhorar a estrutura dos escritórios, construindo bicicletários e vestiários com chuveiros. Muitas companhias também aderiram ao programa Cyclescheme, esquema do governo que possibilita que funcionários comprem uma bicicleta de até mil libras (R$ 3 mil) sem pagar imposto. O valor é descontado do salário em 12 parcelas.

Fonte: BBCBrasil

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