Pai diz que Snowden voltaria aos EUA se não fosse preso ao chegar

Herói ou Traidor?

O pai de Edward Snowden, responsável pelo vazamento do esquema de espionagem a telefones e dados de internet feito pelos Estados Unidos, disse nesta sexta-feira que seu filho voltaria ao país com a condição de que não fosse preso ao chegar ao país.

O delator está desde domingo (23) na área de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, após sair de Hong Kong. Os Estados Unidos pediram sua extradição para que seja processado por roubo, transferência de propriedade do governo e espionagem. Se condenado, ele pode pegar até 30 anos de prisão.

Em entrevista à emissora de televisão NBC, Lonnie Snowden disse que seu filho violou as leis, mas não é um traidor por revelar informações confidenciais. “As pessoas querem classificá-lo como traidor e, sim, de fato ele traiu o governo americano. Mas acredito que ele não traiu o povo dos Estados Unidos”.

Reprodução/Today
Em entrevista à emissora NBC, pai de Edward Snowden diz que filho voltará aos EUA se não for preso antes de julgamento
Em entrevista à emissora NBC, pai de Edward Snowden diz que filho voltará aos EUA se não for preso antes de julgamento

Segundo Lonnie, o advogado de Snowden enviou uma carta ao secretário de Justiça americano, Eric Holder, dizendo que o delator voltaria para casa desde que o secretário prometesse que não iria prendê-lo antes de que seja julgado.

O delator ainda pede para escolher o juizado que avaliará seu processo e que seja mantido seu direito de expressão durante todo o processo de julgamento, o que lhe poderia levar a dar mais informações confidenciais.

O pai do informante, que não conversa com o filho desde abril, diz que quer falar com ele e teme a manipulação de outras pessoas, incluindo o site WikiLeaks.

“Não quero colocá-lo em perigo, mas tenho receio das pessoas que o seguem. Penso que a intenção do WikiLeaks não é garantir o cumprimento da Constituição dos Estados Unidos, mas simplesmente divulgar o máximo de informação possível”.

Ex-assistente técnico da CIA e funcionário da Booz Allen Hamilton, prestadora de serviços no setor de defesa, Snowden trabalhava para a NSA há quatro anos, como representante da Booz Allen e de outras empresas, como a Dell.

A NSA, cujo material foi divulgado por Snowden, é uma das organizações mais sigilosas do mundo. De acordo com as informações apresentadas pelo delator, a agência monitorou os registros de ligações de milhões de telefones da Verizon, segunda maior companhia telefônica dos EUA.

Também foram verificados dados de usuários de internet de todo o mundo em empresas de internet como Google, Facebook, Microsoft e Apple. O escândalo causou críticas ao presidente Barack Obama, que combateu a espionagem feita pelas agências quando fazia oposição ao republicano George W. Bush.

PARADEIRO

Desde domingo, Edward Snowden está na área de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou. Na terça (25), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que ele é livre para ir onde ele quiser e que seu governo não pretende extraditá-lo.

No entanto, Snowden circula pelo aeroporto com um passaporte inválido, já que este foi cancelado pelos Estados Unidos. Ele solicitou asilo diplomático ao Equador, que está sendo avaliado pelo país sul-americano e deverá demorar meses para sair, de acordo com o chanceler Ricardo Patiño

O WikiLeaks chegou a informar que ele saiu de Hong Kong com um documento emitido pela embaixada do Equador em Londres, onde está seu fundador, Julian Assange. Porém, a secretária equatoriana de Gestão Pública, Betty Tola, desmentiu a informação.

Na quinta (27), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o país pedirá a extradição de Snowden apenas por meios legais e que não afetará a relação com a China e a Rússia por causa do delator.

“Nós temos muitos negócios que podemos fazer com a China e a Rússia e eu não vou deixar que um caso de um suspeito que estamos tentando extraditar chegar até o ponto em que começaremos a andar em círculos e lidar com uma série de outros problemas”, afirmou.

Para ele, a divulgação das informações sobre os programas da NSA foi “um dano que já foi feito”.”Não vou lançar jatos para capturar um hacker de 29 anos (sic)”.

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