Macarrão se consolida como “prato salvação” da economia italiana

Um dos pratos típicos da Itália, o macarrão vem se consolidando como uma das salvações da economia do país. Só no início de 2013, o volume de exportação de “pasta” cresceu 27%. O dado faz parte de um estudo recentemente divulgado pela Coldiretti (confederação nacional dos empreendedores agrícolas), com base nos dados do Istat (Instituto Nacional de Estatística, em português), e que aborda os setores resistentes à crise financeira.

O volume médio é um recorde histórico. Nunca no exterior se consumiu tanto a invenção chinesa que foi aperfeiçoada, consagrada e hoje é produzida em maior parte pelos italianos. Por ano, eles fabricam 2,9 milhões de toneladas de pasta, a maior produção mundial. Os crescimentos em exportações mais expressivos foram verificados este ano em Índia (86%), Estados Unidos (61%) e Canadá (47%). No caso específico do penne e do espaguete, as maiores compras foram registrados por África (140%) e Rússia (127%).

Wikicommons

Apesar de ser conhecido como um prato italiano, o macarrão foi inventado na China

Para o responsável pelo setor econômico da Coldiretti, Lorenza Bazzana, o aumento das vendas do macarrão italiano para o exterior se deve a um conjunto de fatores que forma um “trend positivo” para o setor. “É um prato saboroso e de bom valor nutricional, levando-se em consideração o custo […] Com a globalização, os mercados se abriram e esse é um tipo de alimentação que agrada a todo o mundo. Além disso, a dieta mediterrânea vem sendo vista com particular interesse depois que a ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou sua inscrição na lista de Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade”, diz.

A Europa, apesar de não ter registrado os maiores crescimentos percentuais, é consumidora de dois terços da pasta exportada pela Itália. No continente, o aumento médio foi de 16%. Destaque para Alemanha, com alta de 22%. Até mesmo países que enfrentam seriamente a crise registraram incremento no consumo do macarrão. Caso da Grécia, onde a variação positiva, de acordo com a Coldiretti, foi de 21%.

Brasil

Embora a confederação não tenha dados específicos sobre as exportações para o Brasil, Bazzana é enfático ao dizer que o país é um dos grandes consumidores do produto italiano e que, em conjunto, toda a América Latina registrou um aumento de 78% nas compras do macarrão produzido na Itália no início deste ano.

Segundo dados da Barilla, uma das maiores fabricantes italianas de pasta e que também possui sede no Brasil, o crescimento nas importações brasileiras foi de 23% até junho, em comparação com o mesmo período de 2012.

E a previsão da Coldiretti é de que o crescimento continue até o final deste ano. “Existem alguns pontos que merecem ser analisados com maior atenção em relação aos produtos alimentares. Mas penso que há ainda muito espaço para crescimento porque esta é uma cozinha saudável do ponto de vista de ingrediente e tipologia”, afirma Bazzana, que acrescenta ainda que o aumento nas vendas para o exterior é sustentável, por ser registrado não só pelas grandes fábricas italianas, mas também por pequenas empresas.

Consumo interno e produção

Ainda segundo a Coldiretti, mesmo com o crescimento recorde das exportações, os italianos se mantêm como os maiores consumidores de pasta no mundo. O prato está presente diariamente na mesa de 10 milhões de habitantes do país. Só no ano passado, eles foram responsáveis pelo consumo de 1,5 milhão de toneladas. O volume representa um faturamento de 2,8 milhões de euros. A média de consumo é de 28 kg/ano por pessoa.

O segundo lugar no consumo mundial do prato, a Venezuela, aparece bem atrás, com 12,7 kg/ano por pessoa; seguido da Tunísia, com 11,7 kg/ano por pessoa; Suíça, com 10,1 kg/ano e Estados Unidos, com 9 kg/ano per capita.

Uma outra pesquisa feita pela confederação mostra ainda que 56% dos italianos dizem ser importante consumir apenas marcas italianas de macarrão. A Itália é ainda líder na produção mundial de macarrão, com média de 2,9 milhões de toneladas ao ano. Em seguida ficam Estados Unidos (com 1,2 milhão de toneladas), Brasil (com cerca de 1 milhão de toneladas) e Rússia (545 mil de toneladas).

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