Soldado é absolvido de acusação de traição por vazamento para WikiLeaks

A Justiça Militar dos Estados Unidos absolveu o soldado Bradley Manning da acusação de traição ao país, a mais grave que lhe foi imputada. Ele confessou ter divulgado milhares de documentos diplomáticos e militares americanos para o site WikiLeaks.

O vazamento de documentos ao WikiLeaks foi considerado a maior divulgação de informações confidenciais da história dos Estados Unidos. Manning, que era analista de inteligência militar no Iraque, entregou cerca de 700 mil documentos do Departamento de Estado e das Forças Armadas americanas.

James Lawler Duggan/Reuters
Bradley Manning, 25, deixa tribunal no domingo (28); soldado foi absolvido de acusação de traição contra EUA
Bradley Manning, 25, deixa tribunal no domingo (28); soldado foi absolvido de acusação de traição contra EUA

Dentre as informações reveladas, estão comunicações diplomáticas com as embaixadas de vários países do mundo, além de informações privilegiadas sobre a atuação americana nas guerras no Afeganistão e no Iraque. O material começou a ser revelado em 2010, causando forte indignação de Washington.

O veredicto foi divulgado nesta terça-feira pela juíza Denise Lind. Ele foi condenado por cinco acusações de roubo, cinco acusações de espionagem, fraude cibernética e outras violações do direito militar.

Com a absolvição da acusação de traição, a previsão é que Manning seja condenado a apenas 20 anos de prisão. As penas para cada uma das acusações serão determinadas no processo de dosimetria, que começa nesta quarta-feira (31).

Inicialmente, o soldado se declarou culpado de dez das 22 acusações apresentadas contra ele pela Justiça Militar de seu país. No entanto, não se disse responsável pela acusação de “conluio com o inimigo”, por ter transferido as informações de guerra ao WikiLeaks.

A defesa do soldado sustenta que Manning é um delator do governo americano, não um traidor como quer qualificar a Promotoria. Segundo os defensores, a intenção do militar foi provocar um debate sobre as ações militares dos Estados Unidos e a política diplomática entre todos os cidadãos americanos.

Por outro lado, os promotores afirmam que o delator traiu a confiança do país e queria fazer fama ao divulgar os documentos. Para a acusação, ele agiu de forma deliberada, sem avaliar os riscos que poderia correr ao divulgar informações para inimigos, como o então líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

VÍDEO

Dentre os arquivos confidenciais que Manning revelou, está a “transmissão intencional” de um vídeo que mostra um helicóptero de combate disparando contra civis iraquianos em julho de 2007. As imagens causaram indignação pelo desprezo dos soldados americanos contra os cidadãos do país asiático.

 

Ele também diz ter sido responsável por entregar informações sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e sobre os detidos na base militar de Guantánamo, na ilha de Cuba. O soldado foi preso em 2010 enquanto servia no Iraque e foi levado à prisão de Quantico, no noroeste americano.

Nos nove meses em que ficou na penitenciária, a defesa afirma que o delator ficou detido sozinho numa cela sem janelas, por 23 horas diárias –às vezes, nu. Os agentes carcerários da base da Marinha onde ele estava preso o consideravam em risco de cometer suicídio.

Devido aos maus tratos, a defesa enviou uma denúncia à ONU (Organização das Nações Unidas). A juíza militar Lind determinou mais tarde que o delator havia sido ilegalmente punido e que deveria ter 112 dias de desconto em qualquer sentença de prisão que receba.

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